Breve, indolor e irreal

Foi à vontade de não mais calar que me levou a procurar os papéis. Numa ideia controversa, quis calar minha voz, falando com os dedos. Meu coração é manso, quase delicado (e seria, se minha alma não tivesse alvoroço como essência), gritos enchem a garganta e logo estão longe; Minha alma anseia por um preenchimento não fugaz.
A brevidade dos sentimentos (a leitura de relâmpagos cifrados, que o decifrar traduz uma ideia não mais existente), deixam a sensação de que não há substância no sentimento de hoje para morar em mim.
Eu sou uma pessoa feita de pra sempre. O que eu sinto, o amor e a amizade que eu devoto não são peças de um jogo com prazo de duração. O que sinto me transcende e é como se transcendesse a minha própria vida. Acredito que o amor que sentimos deve seguir, mesmo que a vida tenha fim. O bem que fazemos e sentimos segue e é mais concreto que a matéria que somos, biologicamente. A matéria concreta que sou, embora invisível, não encontra abrigo nos moldes atuais, onde o sentimento voa num piparote.
Muitas vezes, me sinto deslocada e inadequada, remando contra a maré de sentimentos leves e dispensáveis, me vejo afundar. Mas é no fundo que sei caminhar. E, mesmo que não encontre pares, sigo plena com meus sentimentos concretos. Tudo que sou é palpável e Lee convido a tentar ser. Que seja riso, choro, amor, saudade, amizade e vida. Tudo de verdade, com voz que pode acariciar uma alma, elevando-a, ou atirá-la aí chão, como quem joga um tijolo. Sentir o palpável, com coisas físicas, nos tira desse abstratismo moderno, onde muito se sabe sobre sentir, mas cada vez menos se sente.
Porque quem recebe uma tijolada pode até cair e se machucar duramente. Mas só quem cai de verdade entende o valor de se levantar e andar sentindo o peso das pernas e a importância de cada passo que dá. E, dentro da redoma que as pessoas constroem a fugacidade de seus sentimentos, segue-se cada vez mais distante da dor e, invariavelmente, da vida.

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