Quis me mostrar a ele. Me perguntei se ele conseguiria ver. Quis que ele visse o meu medo, a minha fragilidade, que visse tudo de mim. Mas sabia que era cedo, sabia que ele poderia não suportar. Era um afeto jovem e você sabe o que dizem de afetos jovens: imprevisíveis. Eu me apaixono como quem arranca máscaras. Eu me abro, exponho a fragilidade da alma diante daquele que a cativa. O que é o amor senão a entrega de si mesmo? O que é amar, se não a queda livre, ladeira ou precipício abaixo? Mas esse era um afeto novo.. Não era possível me dar assim, era suicídio. No entanto, ele estava aqui, na minha casa, olhando a minha vida. Poderia ele perceber o tamanho da minha solidão? Poderia ele perceber o medo que carrego dela? De ser esse o meu destino. Me chamava de misteriosa, será que era possível que ele visse a ausência de mistério ali, pairando no ar? E que era claro que, mesmo eu estando ali, todo dia vencendo pequenas batalhas contra a solidão, era ela que vinha ganhando a guerra? S...
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Eu queria ser o ponto de calor, ferver e que ele se queimasse em mim. Queria que ele quisesse se queimar. E queimar mais. E buscasse esse fogo à exaustão. Como se, hipnotizado, não conseguisse evitar o magnetismo da lava que certamente o queimaria. Atingimos o êxtase ao levar o outro além dos limites. Quando o fazemos perder o medo, a razão, e correr para nós como se a única possibilidade fosse a necessidade de se queimar na fogueira. Sendo eu o fogo; Ele a lenha. Eu sou o fósforo, aceso. Corpo tenso, água na boca. Eu sou puro desejo. O fogo aumenta e eu o provoco para subir mais e mais. Ele fica embebido de suor, mas não quer se afastar. E eu o provoco para que continue assim. Que venha a combustão.
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Eu preciso preencher essa carência de liberdade que apenas o amor ridículo, o desejo extremo, podem oferecer. Então, hoje eu estou apaixonada. Nesse momento, não é ao outro, mas à mim mesma. Porque não há nada que eu ame mais do que me rasgar em pele viva e deixar o desejo me consumir. A isso, eu chamo de amar o amor. Não o outro, não o toque, mas como me sinto ao recebê-lo. E daí, que o outro queira esvair o meu corpo? Quanto mais sinto tais pontos, mais livre me sinto. Ele alegou calor, eu era o foco.