Eu preciso preencher essa carência de liberdade que apenas o amor ridículo, o desejo extremo, podem oferecer. Então, hoje eu estou apaixonada. Nesse momento, não é ao outro, mas à mim mesma. Porque não há nada que eu ame mais do que me rasgar em pele viva e deixar o desejo me consumir.
A isso, eu chamo de amar o amor. Não o outro, não o toque, mas como me sinto ao recebê-lo. E daí, que o outro queira esvair o meu corpo? Quanto mais sinto tais pontos, mais livre me sinto. Ele alegou calor, eu era o foco.
Qualquer semelhança com a realidade provavelmente é verdadeira
Te vejo passar, inconsciente dos meus olhos te comendo. Eu te olho como um cachorro, cobiçando o frango que fica girando. Não sei se te disse, mas venho de uma cidade muito quente, então ficar diante de um forno que gira uma carne que nunca se vai comer é uma verdadeira prova de amor. Mas, no nosso caso, vamos nos ater aos fatos: é fome. Porque amar nos dias de hoje é visto como piegas. Eu te amo com a minha língua e com a vontade de comer cada pedacinho seu. Eu nada falo, mas meu amor reside na fome de você. Eu tenho mil e uma noites na cabeça. Maldades a fazer com você, listas quilométricas de como te matar com coisas inomináveis. Me pergunto como você não percebe, penso em cada uma delas te olhando e, mesmo que me veja, não percebe que tudo em mim te chama, que tudo em mim se curva pra te receber. Imagino seus problemas, mas não por muito tempo. Minhas fantasias não podem ter amarras, não po...
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