Eu queria ser o ponto de calor, ferver e que ele se queimasse em mim. Queria que ele quisesse se queimar. E queimar mais. E buscasse esse fogo à exaustão. Como se, hipnotizado, não conseguisse evitar o magnetismo da lava que certamente o queimaria.
Atingimos o êxtase ao levar o outro além dos limites. Quando o fazemos perder o medo, a razão, e correr para nós como se a única possibilidade fosse a necessidade de se queimar na fogueira.
Sendo eu o fogo; Ele a lenha. Eu sou o fósforo, aceso. Corpo tenso, água na boca. Eu sou puro desejo. O fogo aumenta e eu o provoco para subir mais e mais. Ele fica embebido de suor, mas não quer se afastar. E eu o provoco para que continue assim. Que venha a combustão.
Qualquer semelhança com a realidade provavelmente é verdadeira
Te vejo passar, inconsciente dos meus olhos te comendo. Eu te olho como um cachorro, cobiçando o frango que fica girando. Não sei se te disse, mas venho de uma cidade muito quente, então ficar diante de um forno que gira uma carne que nunca se vai comer é uma verdadeira prova de amor. Mas, no nosso caso, vamos nos ater aos fatos: é fome. Porque amar nos dias de hoje é visto como piegas. Eu te amo com a minha língua e com a vontade de comer cada pedacinho seu. Eu nada falo, mas meu amor reside na fome de você. Eu tenho mil e uma noites na cabeça. Maldades a fazer com você, listas quilométricas de como te matar com coisas inomináveis. Me pergunto como você não percebe, penso em cada uma delas te olhando e, mesmo que me veja, não percebe que tudo em mim te chama, que tudo em mim se curva pra te receber. Imagino seus problemas, mas não por muito tempo. Minhas fantasias não podem ter amarras, não po...
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